domingo, 20 de março de 2011

Quem és tu - Alice no Paísdas Maravilhas?

Conferência 29 de Março - 21.30

Há livros, e há também memórias, que nos levam a reflectir, que nos desafiam a lançar um “outro” olhar sobre o mundo. A mergulhar numa viagem no nosso imaginário, nos cenários dos nossos desejos não verbalizados e, por vezes, até aí impensados. A aceder a um espaço inesgotável de possibilidades - à liberdade que só o sonho permite.

Partindo do mundo concreto da realidade quotidiana, deixamo-nos invadir pelo fascinante poder da criatividade e da fantasia e, nas asas do sonho, o impossível deixa de ter lugar. Sobrevoamos já o “País das Maravilhas”.

Lewis Carroll, ao criar um universo paralelo, repleto de situações inverosímeis e de criaturas inusitadas, conduz-nos através de um mundo metafórico, carregado de simbolismos e ambivalências, aparentemente desprovido de sentido (nonsense). Por um lado apela à criança, recorrendo a cenários fantásticos que aguçam a sua curiosidade, por outro, as subtilezas linguísticas, os duplos significados recorrentes, a sátira e ironia que transparecem ao longo da história, dirigem-se ao adulto.

Alguns capítulos mais densos, «extravagantes» e simbólicos da obra-prima de Lewis Carroll podem ter colhido a sua inspiração em factos da sua própria vida e contexto familiar durante a idade infantil, uma parte dos quais teria sido traumática. E nesse sentido, os jogos e malabarismos lógicos e linguísticos constantemente propostos às crianças a quem a história da aventura de Alice é contada, pode ser entendida como uma exercitação da fantasia e da inteligência como resistência à prostração depressiva e à abulia.

E penso que foi tudo isso o que me levou a deixar o “aqui e agora”, para revisitar outras dimensões, há muito, muito tempo “esquecidas” …

E a relembrar José Gil quando nos diz: «O que é ver hoje uma imagem de Alice senão multiplicá-la em ecos de inúmeros passados infinitamente passados que em nós ressoam? […] Cada estampa antiga de uma Alice reenvia a mil histórias que mal se ouvem, que se murmuram, formando uma torrente indecifrável de sentido que se perde no tempo» (O Eco Visual. Catálogo da exposição Alice in the Wonderland de Isabel Pavão, 2000).

Luísa Branco Vicente

ENTRADA LIVRE

Pobres e Ricos - (22 de Março - 18.30h)

(clique na imagem para ampliar)

domingo, 13 de março de 2011

PROGRAMA DA 2.ª QUINZENA DE MARÇO DE 2011

15 de Março – 3ª Feira

18H30 – Lançamento de livro "Feminismos", de Manuela Tavares, edição Leya/Texto Editores, apresentado por Irene Pimentel e Anália Torres

21H30 – Tertúlia Cultural Parodiana. Tema: "D. Juan e a feminilidade", com José Manuel Marques

22H00 – Encontro da Sociedade Portuguesa de Psicodrama Público (adiado para dia 29 de Março)

16 de Março – 4ª Feira

18H00 – Lançamento Revista “Cultura n.º 26”, Revista de História e Teoria das Ideias, edição do Centro de História da Cultura da Universidade Nova de Lisboa, apresentação de Pedro Lisboa.

17 de Março – 5ª Feira

19H00 – Exposição - Inauguração de colectiva na Galeria arthobler (data a confirmar)

18 de Março – 6ª Feira

17H30 – 21H00 - Objectos Cinemáticos, apresentados por Pietro

22H30 – Encontros “4 estações - concertos Granular da primavera”, com Emídio Buchinho, Abdul Moimême, Gonçalo Falcão, Ricardo Freitas (guitarras) + Pedro Lopes (gira-discos)

19 de Março – Sábado

17H30 – 21H00 - Objectos Cinemáticos, apresentados por Pietro

18H00 – Encontros “4 estações – concertos Granular da primavera”

20H00 – jantar dos encontros “4 estações”

22H30 – Encontros “4 estações - concertos Granular da primavera”, com sorteio entre os presentes

20 de Março – Domingo

17H30 – 21H00 - Objectos Cinemáticos, apresentados por Pietro

18H00 – Concerto “Nouvelles Valsas – ensaio público e bíblico”, com Michel ao acordeão

21 de Março – 2ª Feira

18H30 – Performance poética, organização Amnistia Internacional (a confirmar)

22 de Março – 3ª Feira

18H30 – Lançamento livro “Pobres e ricos”, de Mário Moutinho, edição Colibri, apresentado por Fernando Santos Neves.

24 de Março – 5ª Feira

21H30 – Cinema - Apresentação do Indie Lisboa (anulado)

25 de Março – 6ª Feira

18H30 – 17H30 – 21H00 - Objectos Cinemáticos, apresentados por Pietro

22H30 – Concerto com Artur Matamoro Vidal (Espanha) – electroacoustic alto saxophone, amplified objects, Miguel A. García (Espanha) – no-input mixer e Alexander Bruck (México)- viola, violin, strohviol, erhu e raberi. (data a confirmar)

26 de Março - Sábado

17H30 – 21H00 - Objectos Cinemáticos, apresentados por Pietro

27 de Março – Domingo

17H30 – 21H00 - Objectos Cinemáticos, apresentados por Pietro

18H00 – Concerto “Nouvelles Valsas – ensaio público e bíblico”, com Michel ao acordeão

29 de Março – 3ª Feira

21H30 – Encontro das Sociedades Portuguesa de Psicossomática e Sociedade Portuguesa de Psicodrama Psicanalítico de Grupo

30 de Março – 4ª Feira

19H00 – Cinema - Ensaio Ciclo de Cinema LGBT (a decorrer de 1 a 3 de Abril)

quarta-feira, 2 de março de 2011

Top 5 - Mês de Fevereiro

LITERATURA

. Viva o México, Alexandra Lucas Coelho (Tinta da China)
. Aprender a rezar na era da técnica, Gonçalo M. Tavares (Caminho)
. Último Cabalista de Lisboa, Richard Zimler (BIS)
. Falador, Mário Vargas Llosa (BIS)
. Espuma dos Dias, Boris Vian (Frenesi)

LITERATURA INFANTIL

. Incrível Rapaz que comia livros, Oliver Jeffers (Orfeu Mini)
. Lágrimas de Crocodilo, André François (Bruaá)
. Achas que sabes tudo?, Guy Campbelle & Paul Morun (Texto Editora)
. Enquanto o meu cabelo crescia, Isabel Martins Minhós & Madalena Matoso (Planeta Tangerina)
. Bichos Bichinhos e Bicharocos, Sidónio Muralha & Júlio Pomar & Francine Benoit (Althum)

NÃO-FICÇÃO

. Arte de dar peidos, Pierre-Thomas-Nicolas Hurtaut (Orfeu Negro)
. Arte Descobre a Criança, Eurico Gonçalves (Raíz Editora)
. Filósofos e o Amor, Marie Lemonnier & Aude Lancelin (Tinta da China)
. Confissão, Lev Tolstoi (Alfabeto)
. Portugal Povo de Suicidas, Miguel de Unamuno (Abismo)

Feminismos - 15 de Março - 18.30

Manuela Tavares, investigadora da Universidade Aberta, faz a História dos Movimentos Feministas em Portugal no último século, a primeira publicação de fundo, nesta área. Do Estado Novo, em que a ideologia dominante impunha a submissão das mulheres, ao dogmatismo das esquerdas políticas, que não souberam captar a dimensão plural dos feminismos e as contradições de género na sociedade.