sexta-feira, 6 de novembro de 2015

OLHO // exposição colectiva > Inauguração 19 Novembro das 16h00 às 19h00


19 Novembro – 19 Dezembro 2015
Livraria Campo Grande 111

Bárbara Assis Pacheco // Joana Linda // Miguel Bonneville Pedro Vaz // Sofia de Eça // Soraya Vasconcelos

Em Abril de 2013 inaugurou na Livraria Sá da Costa, em Lisboa, ‘Ilha’, uma exposição colectiva com doze artistas nacionais e internacionais, de diversas áreas artísticas.
Depois do impacto provocado pela leitura de ‘A ilha’, romance de Aldous Huxley, lancei como repto a leitura do livro como ponto de partida para uma exposição. Nessa altura, a minha preocupação mais premente era a de continuar a experienciar uma espécie de divórcio com a colectividade, de presenciar à minha volta um persistente individualismo alienado - daquelas ideias que se repetem num desdém contra o nosso próprio país, dando espaço às generalizações. ‘Ilha’ foi um acto inicial contra o isolamento.
Já não numa ansiedade de criar um colectivo - que parece ter sempre um prazo de validade -, de procurar uma união de dissidentes, e com isso tentar materializar uma utopia, mas como resultado de uma sempiterna obsessão com o corpo, com os seus limites e os seus significados, resolvi propor desta vez ‘A História do Olho’ como ponto de partida para a criação de uma obra.
Apesar de não me ter chocado quando o li - talvez porque já tivesse lido William S. Burroughs, J.G. Ballard e Bret Easton Ellis durante a adolescência -, o livro não deixou de produzir efeitos.
À medida que a percepção sobre o nosso corpo vai expandindo, também se expande com ela a noção do quão ele é confinado a didactismos, regras, normas. O corpo é o lugar onde se adquire conhecimento, poderia ter escrito Georges Bataille. Mas não escreveu. Escreveu livros de ficção transgressiva, com nuances autobiográficas, adoptando tudo o que era rejeitado, temido, ou desprezado. E é no seu rastro que nos inspiramos para realizarmos que somos também personagens confinadas às normas e expectativas da sociedade, e que quanto mais tentamos libertar-nos dessas correntes mais somos rejeitados: uma pessoa livre numa sociedade sem liberdade transforma-se num monstro.
Buscamos então n‘A História do Olho’ uma oportunidade para nos assumirmos monstros, terroristas da imaginação, numa ‘transgressão organizada’.

M̶i̶g̶u̶e̶l̶ Bonneville